27 outubro 2007

Carta ao Padrinho



Caro Padrinho,


Após longa e intensa reflexão cheguei a simples conclusão que talvez não haja uma razão em especial em ter te eleito a ti como meu orientador neste novo mundo universitário.
O padrinho é fruto de uma escolha, é uma opção de pura intuição. Neste caso não será errado de o chamar também de “intuição feminina”, pois penso que foi nesse simples facto que se baseou a minha escolha.
Por conseguinte, torna-se um pouco difícil justificar a minha opção. Digamos que o meu “sexto sentido” apurou desde logo uma presença familiar e convenceu de imediato a minha mente de que tu serias a escolha perfeita.
Embora mal te conheça, vejo-te como uma pessoa amiga que deixa transparecer um pouco da sua alma. Características essenciais para o cargo de padrinho, pois é alguém presente no nosso caminho, nas horas de dúvida, de alegria e de sofrimento.
Desde já obrigado por teres aceite o meu convite e espero não te desiludir tanto como afilhada, como amiga. Pois se tenho um padrinho para me apoiar, também tu terás com toda a naturalidade uma afilhada pronta a ajudar, em qualquer circunstância, em qualquer altura.

Padrinho e afilhada são-o para sempre, mesmo que o sempre não exista.



Problema do Doutor David !



Excelentíssimo Senhor Doutor,



Após longa análise e observação concluí que o Doutor não tem qualquer problema. Foi o próprio a confirmar, que gosta do seu traje, portanto, não haverá nenhum problema ligado ao seu vestuário.
Contudo, afirmou que achava que tinha um problema. Caro Doutor, com todo o meu respeito, não o chamaria de “problema”, mas sim de nostalgia do tempo de caloiro. Vê-se confrontado diariamente com os novos caloiros, e sente saudade desta fase da sua vida, pois foi certamente uma das mais bonitas, alegres e a cima de tudo marcantes que viveu.
Porém, não haverá certamente uma solução para o seu caso. Sugiro que se agarre as suas recordações (já Fernando Pessoa o dizia, “ Quando era criança/ Vivi, sem saber,/ Só para hoje ter/ Aquela lembrança”) e contribua para com que também nós, os novatos, um dia mais tarde nos possamos recordar com tanta nostalgia como o Senhor Doutor dessa maravilhosa fase de ser caloiro.
Mais uma vez, peço desculpa pela minha resposta inadequada do dia de ontem. Mas, uma vez que sou apenas uma simples besta, o Doutor com certeza saberá que as minhas capacidades de pensar são limitadas, e, portanto, peço lhe que tenha isso em consideração.
Grata pela sua atenção e com todo o respeito, subscrevo-me,




Faneca



“ AVE PRAXIS TURIS TE SALUTEM “