14 janeiro 2011

– Epílogo –

Acordas-me de noite; uma e outra vez e fazes me dedicar a ti o meu primeiro e último pensamento, antes de os meus olhos se voltarem a zelar.

Acordas-me de forma irrequieta, saltitando de sonho em sonho, aparecendo em lugares meus nos quais eu nunca estive contigo. Tenho o meu inconsciente a pregar-me partidas, quase como a querer a tua presença bem mais do que o meu racional; esse, que te volta a afastar sempre e mais uma vez.

Confesso que sorrio a dormir; que, sem o meu racional por perto, me reconforto no calor do meu coração e, não só sinto as borboletas como as vejo em redor.

É lá que noite após noite, desprendida de pudores, te digo o quão importante és para mim; que te confesso o quão encantada fiquei quando os meus olhos te captaram pela primeira vez. Como admiro o destino, por nos juntar sempre de forma inesperada e nos faz parar no tempo.

Conto-te como adoro quando me fazes festas no cabelo, na nuca, nas mãos, e quando me fazes esperar pelo teu abraço quente só porque não gostas de fumar com a mão esquerda… Assim como adoro observar-te quando não estas a olhar.

Sussurro-te que nunca me esqueci…e que há já tanto tempo te deixei a chave debaixo do tapete para entrares. Que é lá que deves permanecer alojado. Que é ao meu lado que te quero, que é comigo que deves ficar.

E é quando os teus olhos perplexos se cruzam com os meus… que acordo.

Abro os olhos, penso em ti e volto a adormecer durante a ‘tua’ luta com o meu racional.



...não quero que partas sem pelo menos me poder despedir de ti.

Tictac.



3 comentários:

katia Gueirez disse...

Está lindo! :) A bagagem da vida ensina-nos a pensar que amanhã o sol volta sempre a brilhar e ambas sabemos disso. Por isso continua a escrever porque é no papel que confessamos o que vai realmente cá dentro ;)
beijinho

Ricardo Araujo disse...

Esquece! Não podes continuar a pensar mais no passado senão não terás futuro. Ao contrário do outro comentário, acho que seria melhor para ti não escreveres mais sobre este assunto, tens de afastar-te o mais possível destes pensamentos.
Falo por experiência própria.

Rute R. disse...

Desculpa la, Ricardo, mas tu nao fazes a minima ideia sobre o que eu escrevo. E mais, este blog é meu, de mais ninguem, logo escrevo o que me apetece. Se nao queres ler - remedio facil: deixa de passar aqui.